Redação
A perda de um animal de estimação tem levado cada vez mais tutores a buscarem formas mais humanizadas de despedida. Em Goiânia, a morte do cão da raça Shih Tzu, Gucci, de 14 anos, ilustra uma tendência que vem ganhando espaço: os velórios e serviços funerários especializados para pets.
Gucci morreu há cerca de três meses após uma intercorrência em uma clínica veterinária. Abalada com a perda, a tutora decidiu realizar uma despedida especial, contratando um serviço funerário que incluiu cerimônia de homenagem e até chuva de pétalas de rosas. Segundo ela, o momento foi marcado por emoção, mas também por alívio e sensação de acolhimento.
Durante o velório, realizado em uma sala reservada, a funerária disponibilizou café, lanches e apoio emocional aos tutores. Funcionários acompanharam a família durante todo o processo. “Foi um carinho enorme. A chuva de pétalas foi algo que trouxe conforto ao coração”, relatou a dona do animal.
Após a cerimônia, Gucci foi cremado e teve as cinzas colocadas em uma urna de resina em formato de cão, que hoje integra a decoração do quarto do filho da tutora, principal responsável pelo animal.
Segundo Omar Layunta, diretor da PaxdominiPet, a procura por esse tipo de serviço tem crescido nos últimos anos. Há cerca de três anos, a empresa criou pacotes específicos para pets ao perceber uma mudança no comportamento dos tutores. “O pet é visto como um membro da família. É uma relação íntima, emocional, muito profunda”, afirmou.
O pacote completo oferecido pela empresa custa cerca de R$ 1.300 e inclui o traslado do corpo do animal, cerimônia de homenagens em sala reservada, cerimonialista, cremação e entrega das cinzas em urna, além da homenagem com pétalas de flores.
Além das cerimônias tradicionais, o mercado oferece opções diferenciadas para o destino das cinzas. De acordo com Guilherme Santana, CEO da Pet Vale do Cerrado, há urnas personalizadas de resina e também biodegradáveis, indicadas para quem deseja plantar uma árvore em memória do animal. As sementes, como ipê e jacarandá, são entregues junto à urna.
Para tutores que buscam um memorial ainda mais exclusivo, existe a possibilidade de transformar as cinzas do pet em diamante. O material é enviado para processamento fora do estado e pode retornar em forma de pedra ou joia. Já quem prefere não guardar as cinzas pode optar pela dispersão em jardins internos de cemitérios, com registro em vídeo enviado à família.
Na Pet Vale do Cerrado, os serviços variam de R$ 800 a R$ 2 mil, conforme o peso do animal. A cremação atende pets de até 80 quilos e não se restringe a cães e gatos. “Já realizamos cremações de cobras, passarinhos e até hamsters”, contou Guilherme.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Goiás está entre os estados com maior presença de cães nos domicílios. Em 2019, 58,2% das casas possuíam ao menos um cachorro, índice superior à média nacional. Embora não haja dados mais recentes, profissionais do setor afirmam que o vínculo entre tutores e pets tem se intensificado.
Para especialistas, essa mudança está ligada a transformações culturais, como o aumento de famílias sem filhos e com animais de estimação. “Gerações mais jovens têm optado por não ter filhos e acabam direcionando esse afeto aos pets”, avalia Guilherme Santana.
Os serviços funerários para animais estão disponíveis para tutores da Região Metropolitana de Goiânia. A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) alerta que o descarte irregular de corpos de animais em vias públicas, terrenos baldios ou córregos é ilegal e pode gerar penalidades.
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