Desinformação com inteligência artificial explode no Brasil

Conteúdos falsos criados por IA crescem 308% em um ano e passam a dominar o cenário político


Por Rota Araguaia em 06/02/2026 às 14:48 hs

Desinformação com inteligência artificial explode no Brasil
© Freepik

Redação

 

A disseminação de conteúdos falsos produzidos com o uso de inteligência artificial (IA) mais do que triplicou no Brasil entre 2024 e 2025. O crescimento foi de 308%, segundo dados do primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, estudo inédito divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Observatório Lupa.

O levantamento analisou, de forma qualitativa e quantitativa, 617 conteúdos verificados pela Agência Lupa ao longo de 2025 e comparou os resultados com as 839 checagens realizadas em 2024. Os dados revelam uma mudança significativa na forma como a desinformação é produzida e disseminada no país.

De acordo com o estudo, peças de desinformação geradas com o auxílio de IA — como deepfakes — passaram de 39 registros em 2024, o equivalente a 4,6% do total de verificações daquele ano, para 159 ocorrências em 2025, representando 25% de todos os conteúdos checados. O aumento absoluto foi de 120 casos em apenas um ano.

Os deepfakes são conteúdos manipulados por tecnologia que permite alterar rostos, vozes e imagens em vídeos e áudios, criando materiais altamente realistas, porém falsos. Esse tipo de recurso tem ampliado o potencial de engano e dificultado a identificação de informações falsas pelo público.

Segundo o Observatório Lupa, a primeira edição do estudo — que passará a ser publicada anualmente — aponta uma mudança estrutural no ecossistema da desinformação. Em 2024, a IA era utilizada majoritariamente para a aplicação de golpes digitais, como vídeos falsos de celebridades promovendo plataformas fraudulentas. Já em 2025, a tecnologia passou a ser empregada de forma mais estratégica e com viés político.

A pesquisa mostra que quase 45% dos conteúdos falsos produzidos com IA em 2025 apresentavam motivação ideológica, ante 33% no ano anterior. Além disso, mais de 75% dessas peças exploraram a imagem ou a voz de pessoas públicas, especialmente lideranças políticas.

Entre os principais alvos identificados estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado em 36 conteúdos falsos; o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 33; e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em 30 ocorrências.

O panorama também revela mudanças nas plataformas utilizadas para a disseminação da desinformação. O uso do WhatsApp caiu de quase 90% em 2024 para 46% em 2025. Segundo o Observatório Lupa, a redução não indica necessariamente uma queda na circulação de fake news no aplicativo, mas sim uma maior pulverização dos conteúdos em diferentes redes sociais.

Além de Facebook, Instagram, Threads, WhatsApp e X, plataformas de vídeos curtos como TikTok e Kwai passaram a desempenhar papel relevante na propagação de conteúdos falsos, ampliando o alcance e a velocidade da desinformação.

 

Para os pesquisadores, o avanço do uso da inteligência artificial na criação de fake news representa um desafio crescente para a sociedade, autoridades e plataformas digitais, exigindo estratégias mais eficazes de combate à desinformação e de educação midiática da população.

Fonte: Agência Brasil



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