Onça-pintada sagrada é atropelada na BR-070 e recebe ritual fúnebre indígena após comoção nas redes

Ibama diz que não foi acionado para atender a ocorrência e ressalta que é crime ambiental transportar animal silvestre sem autorização, vivo ou morto.


Por Rota Araguaia em 07/01/2026 às 10:11 hs

Onça-pintada sagrada é atropelada na BR-070 e recebe ritual fúnebre indígena após comoção nas redes
Foto: Posts Sinop

Redação

Um grupo de indígenas xavantes realizou, na tarde de domingo (4), o sepultamento de uma onça-pintada que havia sido atropelada no sábado (3), na BR-070, em Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá. Considerado sagrado pelo povo xavante, o animal foi enterrado em uma área de floresta próxima à comunidade, na Terra Indígena Sangradouro-Volta Grande. A informação foi confirmada pela liderança indígena Hiparidi Top’Tiro.

Imagens do momento em que o corpo do felino foi encontrado circularam nas redes sociais e geraram comentários sobre um possível uso do animal para alimentação ou retirada da pele. A hipótese foi negada pela liderança indígena. Segundo Hiparidi, a onça recebeu um ritual fúnebre tradicional, com duração aproximada de duas horas e meia, marcado por cantos e celebrações aos antepassados. “A onça é sagrada para nosso povo. Nós a enterramos em um ritual fúnebre”, afirmou.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que abriu investigação para apurar o caso. De acordo com o órgão, a causa da morte do animal e eventual responsabilização estão em análise. A Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) informaram que não foram acionadas.

O Ibama ressaltou que é crime ambiental transportar animais silvestres sem autorização, vivos ou mortos, conforme a Lei nº 9.605/1998 e o Decreto nº 6.514/2008. O órgão orienta que, ao encontrar um animal silvestre ferido ou morto, a população evite contato e acione as autoridades ambientais, por questões de segurança e saúde pública.

Segundo a tradição xavante, a onça-pintada está ligada à lenda conhecida como “A dona do fogo”, que atribui ao animal o conhecimento do fogo repassado aos ancestrais. De acordo com Hiparidi, a história é transmitida entre gerações e reforça o caráter sagrado do felino, que não é caçado pelo povo.

 

A liderança indígena também defendeu a criação de um corredor ecológico e o reforço da sinalização na rodovia, com redução de velocidade, devido à presença frequente de animais silvestres na região. “Isso acontece sempre. Estamos batalhando para evitar novas mortes”, concluiu.



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