Casal de turistas de Mato Grosso denuncia espancamento por comerciantes em Porto de Galinhas

Agressões aconteceram no sábado (27), após polêmica em torno da cobrança pelo uso de barraca e cadeiras de praia. Vítimas precisaram de atendimento médico


Por Rota Araguaia em 29/12/2025 às 09:51 hs

Casal de turistas de Mato Grosso denuncia espancamento por comerciantes em Porto de Galinhas
Reprodução

Redação

Um casal de turistas de Mato Grosso denuncia ter sido espancado por comerciantes na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. Segundo as vítimas, cerca de 30 pessoas participaram das agressões, que incluíram socos, chutes e golpes com cadeiras. O ataque teria ocorrido após o casal se recusar a pagar um valor maior do que o previamente combinado pelo uso de cadeiras e guarda-sol.

De acordo com os turistas, o valor acertado inicialmente foi de R$ 50, mas, no momento da cobrança, os comerciantes exigiram R$ 80. Diante da recusa, as agressões começaram. O caso ocorreu no último sábado (27) e foi registrado em vídeos feitos por banhistas, que rapidamente repercutiram nas redes sociais.

Em um dos vídeos divulgados, o empresário Johnny Andrade relata a violência sofrida. “Meu rosto está completamente danificado, toda a lateral do meu corpo está machucada porque eles bateram muito em mim. Tinha aproximadamente uns 30 agressores nesse momento”, afirmou. Johnny viajava acompanhado do companheiro, o também empresário Cleiton Zanatta, que também foi agredido e relatou dores pelo corpo.

As vítimas precisaram pedir ajuda às equipes de guarda-vidas civis que atuavam na praia. Para protegê-los, os agentes colocaram o casal na caçamba do veículo de apoio, impedindo que os agressores continuassem o ataque. As imagens mostram ainda os comerciantes jogando areia no rosto dos turistas durante as agressões.

“Escolhemos Porto de Galinhas para passar alguns dias de férias e nos deparamos com essa atrocidade”, disse Johnny Andrade, que ficou com o olho direito inchado após o espancamento. Cleiton Zanatta afirmou que chegou a ser retirado à força do veículo dos guarda-vidas e novamente agredido. “Me arrastaram por cerca de 10 a 15 metros e me deram muitos chutes nas costas e na cabeça. Espero nunca mais pisar nesse lugar”, relatou.

Falta de suporte às vítimas

O casal também denuncia falta de suporte por parte do poder público após o ocorrido. Segundo Johnny e Cleiton, não havia ambulância disponível no município, e eles precisaram arcar com os custos de transporte por aplicativo até as unidades de saúde.

Na unidade de saúde de Porto de Galinhas, o médico informou que seriam necessários exames de imagem, mas que o local não possuía os equipamentos, sendo necessário o deslocamento até o Hospital de Ipojuca. Após realizarem os exames, receberem medicação e receberem alta, os turistas retornaram à delegacia de Porto de Galinhas para registrar o boletim de ocorrência.

Por volta das 22h do sábado, os policiais entregaram ao casal os pertences que haviam ficado na praia durante as agressões. No entanto, segundo os turistas, a proprietária da barraca onde estavam exigiu o pagamento pelo uso das cadeiras e do guarda-sol, valor que acabou sendo pago via Pix.

O que diz a Prefeitura de Ipojuca

Em nota publicada nas redes sociais, a Prefeitura de Ipojuca lamentou o ocorrido e repudiou as agressões. O município classificou o episódio como “grave e incompatível com os valores de respeito, acolhimento e hospitalidade que norteiam o destino”.

A gestão municipal informou ainda que os órgãos competentes já apuram o caso para identificar os envolvidos e adotar as medidas legais cabíveis. Segundo a prefeitura, houve atuação rápida das equipes de salva-vidas e da Guarda Municipal, o que teria evitado o agravamento da situação.

A administração municipal também destacou que realiza um trabalho contínuo de ordenamento da orla, incluindo o recadastramento de ambulantes, reuniões com barraqueiros e a entrega de crachás de identificação com QR Code, ação que deve ser ampliada para todos os trabalhadores da praia.

Até a publicação desta reportagem, a Associação dos Barraqueiros de Porto de Galinhas não havia se manifestado sobre como são feitas as cobranças pelo aluguel de cadeiras e guarda-sóis nem se há uma tabela de preços oficial.



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