Redação
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação das carnes atingiu em junho a maior alta do ano no acumulado de 12 meses, com avanço de 23,63%. A partir de então, os preços começaram a desacelerar. Em novembro, por exemplo, a alta acumulada em 12 meses recuou para cerca de 5%.
Esse movimento coincidiu com um período de produção recorde no país. No terceiro trimestre de 2025, o Brasil abateu 11,2 milhões de cabeças de gado, o maior volume para o período desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. O abate de fêmeas também atingiu nível inédito, superando o de machos pela primeira vez.
Além da maior oferta, outros fatores contribuíram para conter os preços. Segundo Iglesias, a forte valorização da carne bovina nos últimos anos encontrou um limite no orçamento das famílias brasileiras, reduzindo o espaço para novos reajustes. “A carne ficou tão cara que o consumidor passou a priorizar proteínas mais acessíveis, como frango, embutidos e ovos, o que ajudou a frear novas altas”, avaliou.
O analista destaca ainda que o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos à carne brasileira não teve impacto significativo sobre os preços internos. Segundo ele, a indústria redirecionou as exportações para outros mercados, mantendo um fluxo elevado de vendas externas entre julho e novembro.
Para o próximo ano, a expectativa é de continuidade das exportações em ritmo forte, porém com menor produção interna. Após um ciclo de abates recordes, a tendência é que produtores passem a reter fêmeas nas fazendas para reprodução, reduzindo a disponibilidade de animais para o abate.
“Em uma análise inicial, o consumidor deve enfrentar preços mais altos da carne bovina em 2026”, afirma Iglesias. Ele ressalta, no entanto, que o comportamento do mercado também dependerá das decisões da China, principal destino da carne brasileira.
Segundo o analista, o país asiático avalia a adoção de salvaguardas sobre a importação de carne bovina. Caso sejam impostas cotas restritivas, a dinâmica do mercado pode mudar significativamente. “Se houver restrições muito severas, o Brasil pode passar de um cenário de menor oferta interna para um de maior disponibilidade no mercado doméstico”, conclui.
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